Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, comenta a reforma da Previdência

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O presidente executivo e do Conselho de Administração do Banco Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, declarou no último dia 14 de dezembro, que a reforma da legislação previdenciária é de fundamental importância para todas as outras reformas em curso. De acordo com o banqueiro, que deverá anunciar seu sucessor no mês de março de 2018, é primordial que sejam criadas medidas para que o governo federal não extrapole o limite de gastos públicos. Conforme esclareceu Cappi em evento com jornalistas: “Particularmente, confio que a reforma poderá ser aprovada antes das eleições presidenciais de outubro. Entretanto, apenas o Planalto poderá estabelecer o melhor período para seu trâmite e posterior aprovação no Congresso”.

Ainda de acordo com o executivo, o governo do presidente Michel Temer definiu uma agenda positiva buscando coerência monetária e fiscal a partir das reformas estruturais em pauta. Para Luiz Carlos Trabuco Cappi, a reforma previdência é de fundamental importância, a médio prazo, para o equilibro das contas públicas. Segundo Cappi, o sistema previdenciário brasileiro está alicerçado sobre um pacto de gerações, e, caso a reforma não passe, restará um conflito de gerações e não mais um pacto. Além da necessidade no médio prazo, o presidente do Bradesco destaca que a reforma implica responsabilidade com os gastos públicos, o que repercute na valorização de ativos no curto prazo.

Sobre a retomada do crescimento econômico em 2018, Luiz Carlos Trabuco Cappi revela que os investimentos estão retornando, o que pode ser comprovado com as últimas operações de abertura de capital na bolsa de valores. Para ele: “O Brasil, por suas características, é um bom lugar para se investir. E todos os indicadores mostram que os investidores estão com o dedo no gatilho para investir”. Apesar da recessão profunda, a pior parte já passou e, neste momento, as pessoas estão comprando mais: trocando de carro, adquirindo imóveis ou mesmo renovando o guarda-roupa, complementa Cappi.

Outro fator que indica a retomada do crescimento é o aumento da procura por crédito, observado a partir do número de propostas analisadas nos últimos meses: “Crédito para reperfilar dívidas está ficando para trás. Voltaram a crescer, no último trimestre de 2017, as linhas de crédito relativas ao capital de giro – algo que não ocorria há dois anos”, destaca. Ainda segundo Luiz Carlos Trabuco Cappi, 2018 deve ser um bom ano, caso sejam levadas em consideração as indicações de juros futuros. Vale ressaltar, no entanto, que para o próximo triênio as previsões para os juros mostram um cenário de alta, o que pode representar indefinições no tocante à questão fiscal.

O presidente do Bradesco ainda sinaliza que a classe empresarial não deseja uma reforma tributária (que também está em pauta no Congresso) para diminuir a carga de impostos. Para ele, o empresariado almeja uma simplificação do sistema tributário. De acordo com o executivo: “Num país que passa por ajuste fiscal, seria insanidade a reforma tributária para reduzir os impostos. Agora não contar com aumento da carga e simplificar, é uma coisa desejável”, conclui Luiz Carlos Trabuco Cappi.